Rose Esquenazi ainda bebê com seu pai, Rubens, na Praia de Copacabana, em 1954
Divulgação
Uma Copacabana onde as crianças brincavam na rua, os moradores se conheciam pelo nome e ir à praia fazia parte da rotina. É esse bairro das décadas de 1950 e 1960 que a jornalista e professora Rose Esquenazi recupera no livro “Copacabana e o cheiro de maresia”, que será lançado nesta sexta-feira (28), na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.
Na autoficção, Rose mistura lembranças da infância e da adolescência com as transformações de um bairro que deixou de ser um balneário predominantemente familiar para se tornar um dos endereços mais conhecidos do mundo.
“Era um balneário em que todo mundo se conhecia, ia para a pracinha, para a praia, para o carnaval, para a escola. E era muito gostoso saber todo mundo pelo nome, saber quem morava onde, os estrangeiros, os brasileiros”, conta a autora.
Reveja abaixo reportagem sobre os 100 anos de Copacabana, em 1992:
Globo Comunidade RJ: os 100 anos de Copacabana (1992)
Turistas eram atração
Entre as lembranças recuperadas no livro está a chegada de turistas estrangeiros à praia em frente ao Copacabana Palace. Para as crianças do bairro, os hábitos dos visitantes viravam atração.
“A gente adorava ir em frente ao Copacabana Palace, na praia, porque via os turistas chegando sem a menor prática. Então eles traziam um cobertor para deitar em cima, tiravam a roupa, ficavam nus antes de entrar no mar. Era muito divertido, porque era uma realidade que a gente não conhecia”, lembra Rose.
As diferentes línguas ouvidas na orla também ficaram na memória da autora. Alemão, inglês e francês se misturavam ao português e ajudavam a dar ao bairro uma atmosfera cosmopolita.
Mudanças urbanísticas
Avenida Atlântica antes do alargamento da faixa de areia da praia e da duplicação da pista
Autor não identificado/Casa Editorial G. Ermakoff
O livro acompanha também as mudanças urbanísticas que transformaram Copacabana. Entre elas está a duplicação da Avenida Atlântica, que modificou a paisagem da orla.
A derrubada de casas e antigos casarões e a construção de edifícios mudaram o perfil dos moradores e aceleraram a ocupação do bairro.
Ao mesmo tempo, Copacabana se consolidava como um dos centros da vida cultural carioca. A convivência com artistas e músicos ligados à Bossa Nova e a presença crescente de visitantes de diferentes partes do mundo ajudaram a transformar o antigo balneário em referência internacional.
A autora
‘Copacabana e o cheiro de maresia’, de Rose Esquenazi
Divulgação
A história do bairro se mistura à trajetória da própria autora. Rose Esquenazi trabalhou por mais de 40 anos em veículos como O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, Última Hora, Caras e Fatos&Fotos. Durante 39 anos, também lecionou disciplinas de Jornalismo na PUC-Rio.
Ao revisitar a própria juventude, Rose diz esperar que as memórias provoquem no leitor uma comparação entre diferentes épocas da cidade.
“Foi uma infância muito interessante, muito viva e muito feliz. E eu espero que vocês se lembrem também da infância de vocês, da adolescência, e vejam o que mudou de lá para cá”, afirma.
Publicado pela Editora Ipê das Letras, “Copacabana e o cheiro de maresia” será lançado nesta sexta-feira (28), a partir das 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. A autora vai conversar com o público durante o evento.
Fonte: https://g1.globo.com/guia/guia-rj/noticia/2026/08/28/livro-resgata-a-copacabana-dos-anos-50-e-60-pelas-memorias-de-jornalista.ghtml
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